Histórico, o último ano da primeira década deste século.
Enquanto no até agora maior mercado automóvel do mundo, o dos Estados Unidos, os grandes gigantes da indústria aparecem aos olhos de todo o mundo feridos de morte, na China as dezenas de grandes e pequenos construtores de automóveis locais alimentam o crescimento desenfreado das vendas e arrancam pela primeira vez a nível mundial para o lugar mais alto do pódium!
Quer os números, tão frios quanto este Inverno que nos traz a todos na Europa enregelados?
Pois aqui estão – o mercado automóvel na China cresceu 44% face ao registado no ano anterior e o dos Estados Unidos encolheu 21%, o que significa que na China foram entregues 13,5 milhões de novos automóveis, mais 3 milhões do que nos Estados Unidos!
Com um crescimento acima dos 10%, a China é a economia do mundo emergente que mais poder de compra revela, graças a novas medidas implementadas pelas autoridades do país. Esta semana o China Daily lembrava que o governo chinês tinha adoptado um conjunto de medidas anti-crise visando fomentar a procura interna, para compensar a queda das exportações e que este plano de apoios à mega economia asiática envolveu a criação de subsídios à compra de automóveis menos poluentes e de ajudas aos camponeses para que adquirissem veículos, deixando de lado as tradicionais bicicletas…
Com tanta produção interna, o gigante asiático destronou a Alemanha como maior exportador mundial, e entra em 2010 com uma margem fabulosa de crescimento – tem apenas 35 veículos por mil pessoas, enquanto nos países desenvolvidos esta média ultrapassa a fasquia dos 400 e nos Estados Unidos a densidade é o dobro.
Não admira pois que os grandes construtores apostem nestes mercados emergentes – a VW/Audi há muito tempo que chegou à China, a Peugeot que durante décadas defendeu o seu prestigio em África, está em força na América do Sul e também já vai a caminho do Oriente, a General Motors vendeu quase dois milhões de veículos aos chineses em 2009, crescendo quase 67% e, dando mostras dessa saúde de ferro, a chinesa Geely acaba de chegar a acordo com a Ford para a compra da Volvo… juntando-se aos indianos da Tata que já têm no seu portfolio a Jaguar e a Range Rover.
Tempo de viragem e de mudança – mas não nasce o Sol a Oriente?
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