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| Testdrive ao Ford Ka |
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| Toma lá, dá Ká! | 18-01-2010 |
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Comigo a reacção foi imediata e, ao vê-lo parado à espera de dono, num qualquer stand, apeteceu-me apenas entrar, mirá-lo mais uma vez, perguntar quanto custa, preencher o cheque, dizer “tome lá, dê cá” e sair porta fora, enfrentando as ruas da cidade e os olhares curiosos dos transeuntes.
Pedro Mariano
Não vou ao ponto de dizer que se pode aplicar ao Ka a famosa frase “Amo-te” que, por artes pouco mágicas, se banalizou e vulgarizou, estendendo-se a tudo o que é sítio ou coisa e deixando de ter um sentido intimista. Mas o pequeno citadino da Ford é um modelo que não deixa ninguém indiferente e talvez dele se goste muito ou se não goste nada, sem lugar para meios-termos. Quem diria, aliás, que o Ka deriva da mesma plataforma que o Cinquecento da Fiat, tendo sido um projecto desenvolvido em comum pelas duas marcas? Seria decerto alguém com inequívocos dotes de adivinhador, pois enquanto o italiano traz com ele reminiscências do passado e um saudosismo retro, o britânico carrega a irreverência da marca kinetic e projecta o futuro, como que se antecipando no tempo. Com efeito, trata-se de um modelo que é assim como que um ovo mas bem aerodinâmico e no qual as formas privilegiaram o espaço interior até à exaustão, o que faz dele ao mesmo tempo arrojado e prático, confortável e espaçoso, citadino por vocação mas estradista por opção, sem que deixe os seus créditos por mãos alheias.
Apenas com duas portas, dois lugares à frente e dois lugares atrás, o ka oferece uma habitabilidade quanto baste e uma volumetria interior que faz esquecer as suas reduzidas dimensões, o que se revela bem relaxante quer nas deslocações mais dilatadas quer nas intermináveis demoras da cidade. Atrás pode no entanto transmitir a passageiros mais sensíveis uma sensação de claustrofobia que o facto de não se poderem abrir as janelas tem tendência a agravar. Coisa que não deve preocupar em demasia o condutor, sentado á frente, e tendo diante dele um painel de bordo extremamente original e respirando juventude, sem que o conceito tenha prejudicado a ergonomia. Na minha opinião só o acesso ao posto de condução traz dificuldades diárias, devido ao tamanho da porta – não só é muito difícil ter o ângulo de abertura suficiente para entrar (ou sair) se estacionado em parkings, com carros lado a lado demasiado próximos, como também o simples e incontornável movimento de colocar o cinto de segurança se revela incomodativo, tão longe do condutor fica o suporte. Mesmo à mão ficam os comandos, os da coluna de direcção, os do volante ou os da consola central, onde se pode encontrar o ar condicionado e o rádio com MP3 e ficha apropriada para a reprodução destes ficheiros de áudio – ou não fosse o Ka um carro para a juventude. Vidros eléctricos e airbags frontais e laterais fazem parte do equipamento bem como o fecho centralizado e os faróis de nevoeiro. Estão pois reunidas as condições para que se usufrua, num pequeno citadino de 3,60 metros, de níveis de comodidade muito relevantes.
Motor a gasolina 1.2
Um motor 1.2 de 4 cilindros e apenas 8 válvulas desenvolvendo 67 cavalos é o coração deste Ka, e não dei por qualquer arritmia. Ligada a ele está uma caixa de 5 velocidades cujo comando fica em posição sobrelevada, na consola central, mas nem por isso deixa de ser prático, mesmo se requer alguma habituação. Não sendo grande nem pesado, o carro mexe-se bem e o binário motor está disponível desde bem cedo o que torna as coisas bem mais simples ao circular-se no seu habitat natural, a cidade. Fácil de manobrar e de estacionar, com uma travagem progressiva e potente – que de resto, se for muito brusca e violenta, acciona de imediato os quatro piscas para avisar da manobra o condutor de trás - o Ka mostrou uma suspensão com um correcto amortecimento e que lhe garante bastante eficiência e à vontade nos pisos mais ingratos, além de curvar com destreza, muito graças à barra estabilizadora nos dois eixos e à taragem das molas. Pena que o controle electrónico de estabilidade só esteja disponível como opção, que de resto se recomenda. Nas voltinhas com o Ka dei por mim a pensar que, apesar de ter o mesmo chassis e distância entre eixos, é muito mais confortável do que o Cinquecento e, por isso, capaz de enfrentar a cidade dos buracos e das tampas salientes sem receios e sem chocalhar os ocupantes. Ou seja, a agradabilidade que provoca em quem o vê confirma-se depois de o conhecer e isso faz do Ka uma aposta muito séria no seu segmento.
CARACTERISTICAS TÉCNICAS
Marca e modelo Ford Ka 1.2 Duratec Titanium
Motor 4 cil. em linha, 8V, 1242cm3
Potência (CV/rpm) 69/5500
Binário (Nm/rpm) 109/3000
Transmissão Dianteira, caixa manual 5 vel.
Suspensão (fr./tr.) Independente, tipo Mcpherson /
Eixo de torsão / barras estabilizadoras
Travões (fr./tr.) Discos / Tambores
Comp./Larg./Alt. (mm) 3620/1658/1505
Dist. entre eixos (mm) 2300
Capacidade da mala (lt) 224
Peso (kg) 1315
Velocidade Máxima (km/h) 159
Acel. 0-100 km/h (s) 13,1
Consumo médio (l/100 km) 5,1 / 6,2 (verificado)
Emissões CO2 (gr/km) 119
Preço versão base 12.400 Euros
Preço versão ensaiada 13.100 Euros
Pontuação
Estética - 4
Qualidade - 3
Habitabilidade - 3
Conforto - 3
Segurança - 3
Na estrada – 3
Preço - 4
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